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Bactéria de milhões de anos pode virar protetor solar

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Cientistas estão a um passo de criarem um protetor solar inspirada na natureza. Eles identificaram as enzimas responsáveis pela produção de moléculas de filtro solar em cianobactérias, organismos que vivem na Terra há 3,4 bilhões de anos, muito antes que houvesse oxigênio suficiente para barrar os efeitos nocivos dos raios ultravioletas do Sol.
Também conhecidas como algas azuis, as cianobactérias produzem energia por meio da fotossíntese. Para isso, elas precisam se expor à radiação ultravioleta, que danifica moléculas de DNA. A cianobactéria demorou quase 1 bilhão de anos para desenvolver moléculas chamadas mycosporines e mycosporine aminoácidos (MMA) que absorvem os raios nocivos do sol.
Estudos anteriores focavam nas estruturas químicas das moléculas bloqueadoras de UV e os tipos de organismos que fabricavam ou acumulavam-na em habitats diferentes. Ninguém sabia como os organismos produziam as moléculas. Emily Balskus e Christopher Walsh, dois pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard, descobriram os genes e enzimas envolvidos na síntese desses protetores solares biológicos pela primeira vez.
Com uma técnica de extração genômica, os dois identificaram um grupo de genes que podem ser os responsáveis pela produção das moléculas-filtro solar em cianobactérias da espécie Anabaena varialibis. Para testar os genes, os cientistas ativaram o grupo em bactérias do tipo Escherichia coli, que não produzem as moléculas normalmente, e notaram que as bactérias passaram a produzi-las.
Os cientistas identificaram quatro enzimas responsáveis por sintetizar as moléculas de MAA. Cada uma tem dois aminoácidos ligados a um grupo orgânico central. E é justamente a ligação entre os aminoácidos que determina o comprimento de onda e a força da absorção dos raios UV.
Duas dessas enzimas já estão na fórmula de um produto anti-idade chamado Helioguard, fabricado na Suíça. Mas o cosmético usa os químicos extraídos de algas. Os pesquisadores pretendem usar engenharia biológica ou biocatalisadores para produzir as moléculas em laboratório. "Nós não sabemos ainda se o bloqueador solar biológico será melhor que aquele feito pelo homem. Mas ele tem as propriedades fotoquímicas que esperamos nos protetores", afirma Emily Balkus, responsável pela pesquisa.
FONTE: GALILEU

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