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Mosquitos transgênicos são usados para conter dengue na Bahia

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Em vez de pulverizar inseticida para matar os mosquitos transmissores da dengue– como é feito em muitos municípios – pesquisadores brasileiros estão soltando mais mosquitos no ambiente para conter a doença. Tratam-se de insetos geneticamente modificados. “São linhagens transgênicas desenvolvidas na Inglaterra. Os mosquitos recebem um gene que promove a morte de suas larvas antes de se tornarem adultas [e poderem transmitir a doença]”, diz Margareth Capurro, coordenadora do projeto e bióloga da USP.
Doze pontos da cidade de Juazeiro, na Bahia, receberam os mosquitos modificados. O estudo, iniciado em julho de 2010, está em sua terceira fase. “Primeiro, fizemos um levantamento para saber se havia mosquitos na região. A segunda fase foi a avaliação da dispersão dos transgênicos, saber se eles voam como os selvagens. Agora estamos vendo sua capacidade de cópula”, diz a pesquisadora. Na última fase, quantidades maiores se insetos serão soltos no ambiente. O estudo deve ser concluído até abril de 2012. 
Cerca de 33 mil mosquitos transgênicos machos são soltos por semana na cidade. Os pesquisadores não trabalham com as fêmeas no ambiente porque são elas que transmitem a dengue. Eles esperam que os machos copulem e transmitam seus genes para os descendentes, que deverão morrer antes de atingirem a fase adulta. Aparentemente, o estudo teve bons resultados até agora. “Marcamos nossos mosquitos com proteína fluorescente e conseguimos coletar suas larvas transgênicas no ambiente”, diz Danilo Carvalho, coordenador do projeto em Juazeiro. 
Para Margareth, o combate à dengue com os mosquitos transgênicos é uma opção vantajosa porque não são tóxicos como inseticidas, que agridem o ambiente e logo encontram resistência dos mosquitos. “Não elimina as técnicas usadas hoje, mas é bastante promissora”, diz.
A próxima fase da pesquisa irá colocar 10 vezes mais mosquitos transgênicos no ambiente do que selvagens. “Serão cerca de 100 mil mosquitos soltos por semana”, diz a pesquisadora. Depois de 7 dias, eles morrem. Os responsáveis pelo projeto, que conta com o apoio de entidades de pesquisa, vai buscar verba com o governo da Bahia para estender a ação para mais regiões do estado. 
Um detalhe, caso você esteja se perguntando como o mosquito criado em laboratório não morre, se ele tem o gene que não deixa as larvas chegarem na fase adulta, o coordenador, Danilo Carvalho, explica: Esse gene tem letalidade condicional, em laboratório criamos mosquitos com um antibiótico que não deixa ele agir. Não temos essa alternativa na natureza.
FONTE:GALILEU

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