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Pesquisadores identificam potencial terapêutico em veneno da aranha armadeira

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Pesquisadores da Fundação Ezequiel Dias (Funed), em parceria com profissionais da Santa Casa de Belo Horizonte e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), identificaram mais um potencial terapêutico de toxinas do veneno da aranha brasileira Phoneutria nigriventer (aranha armadeira), desta vez, para o tratamento da isquemia de retina e da taquicardia.

“O veneno dessa aranha apresenta toxinas de grande importância, que já foram isoladas, purificadas e tiveram sua estrutura definida. Dentro de sua grande diversidade de moléculas, foi verificado que cada uma atua em um alvo específico”, diz a coordenadora da pesquisa na Funed, Marta do Nascimento Cordeiro.
Na Funed, os estudos que investigam a composição e a função do veneno tiveram início em 1987 e consistem no isolamento, purificação e identificação da estrutura dos componentes do veneno da aranha armadeira. Nos últimos anos, as pesquisas já revelaram a presença de algumas toxinas com função de neuroproteção em casos de isquemia cerebral (derrame), outra muito eficiente no combate à dor, considerada mais potente que a morfina.
Nos estudos mais recentes, segundo o pesquisador Michael Richardson, foi identificada uma grande quantidade de peptídeos, dentre eles as moléculas PnTx3-1, PnTx3-3 e PnTx3-4. As atividades destas toxinas foram pesquisadas pela equipe da Santa Casa/UFMG, coordenada pelo professor Marcus Vinicius Gomez e testadas em camundongos.
As neurotoxinas PnTx3-3 e PnTx3-4 apresentaram ação neuroprotetora contra a isquemia de retina - uma falha no transporte de oxigênio para as células e que causa a morte das células e até a cegueira. As amostras de retina tratadas com as toxinas apresentaram grande redução da morte celular, ou seja, mesmo com a falta de oxigênio as células continuaram vivas e saudáveis. Já a toxina PnTx3-1 inibiu a arritmia cardíaca (alteração da frequência ou o ritmo dos batimentos cardíacos) nos animais usados em experimentação. Os camundongos apresentaram melhora no ritmo e frequência cardíaca quando tratados com a toxina.
Parcerias
Todos os estudos são feitos em parceria entre diversas instituições de pesquisa. “Essa colaboração é muito positiva. No caso da parceria com a Santa Casa, a Funed purifica e identifica as toxinas e a equipe da Santa Casa faz os testes farmacêuticos. Com as patentes obtidas, contribuímos para consolidar a imagem das duas instituições e de Minas no campo de pesquisa”, diz Marta do Nascimento Cordeiro.
Todas as descobertas já estão em processo de obtenção de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e as duas últimas foram publicadas este ano em revistas científicas internacionais, a Retina e a Toxicon. A investigação da propriedade neuroprotetora e de redução da arritmia das toxinas continua sendo realizada pelo grupo e caso haja interesse de indústrias farmacêuticas, podem ser feitas transferências de tecnologia para no futuro transformar estas descobertas em medicamentos.
A aranha armadeira
A aranha Phoneutria nigriventer é chamada armadeira devido ao fato de, quando ameaçada, tomar a postura de se armar, levantando as patas dianteiras e eriçando os espinhos. É extremamente agressiva. Vive sob troncos, normalmente de folhagens densas, como bananeiras, montes de lenha ou materiais de construção empilhados e, eventualmente, aparecem dentro das residências, principalmente em roupas e dentro de calçados.
O animal adulto mede 3 cm de corpo e até 15 cm de envergadura de pernas. Não faz teia e tem coloração marrom-escura com manchas claras formando pares no dorso do abdome. Após a picada dessa aranha, a pessoa sente dor intensa e imediata no local e, em casos mais graves, suor e vômitos.
FONTE: Agência Minas

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