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Estatinas podem aumentar risco para diabetes, diz FDA

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As estatinas, remédios usados para baixar os níveis de colesterol, foram ligadas a um risco de causar diabetes tipo 2, problemas cognitivos e dores musculares.
Essa é a conclusão da FDA (agência que regula fármacos e alimentos nos Estados Unidos), que incluiu novos alertas de segurança na bula desses medicamentos.
Nos Estados Unidos, as marcas mais populares são Lípitor, Crestor e Zocor. No Brasil, eles também são muito prescritos, e há versões genéricas para todos eles.
O aumento do risco, ainda que pequeno, foi observado em pacientes que usaram as estatinas. O alerta também se baseou em estudos dessa classe de medicamentos.
Segundo especialistas, a ligação do remédio com o diabetes e as dores musculares já era conhecida.
"Estudos já demonstraram esse risco, mas os mais predispostos eram os que já tinham uma chance maior de ter a doença, com ou sem estatina. O que ela pode fazer é dar um empurrãozinho", afirma Raul Dias dos Santos, diretor da unidade clínica de lípides do Instituto do Coração.
O risco de ter diabetes tipo 2 é maior para quem é obeso e tem pressão, triglicérides e glicose mais altas.
Uma das possíveis explicações para a relação entre estatinas e diabetes é que o remédio dificulta a ação da insulina e aumenta os níveis de glicose no sangue.
Mas, segundo Santos, o novo alerta não será um impedimento para a prescrição dos medicamentos.
"Paradoxalmente, os que mais se beneficiam das estatinas são os que têm maior chance de ficar diabéticos."
Uma saída para diminuir esse risco é aderir ao conhecido pacote de mudanças de estilo de vida, que inclui perder peso e fazer exercícios.
As dores musculares também são comuns -aliás, segundo Daniel Magnoni, cardiologista do Hospital do Coração, essa é a maior queixa de quem toma as estatinas.
SEM MEMÓRIA
Segundo a FDA, perda de memória e confusão foram observados após o uso de todos os tipos de estatina e em pacientes de todas as idades. Mas a agência afirmou que as reações desaparecem assim que o uso é interrompido.
"Estranho um pouco esse alerta porque os estudos não relataram efeitos positivos ou negativos na cognição", afirma Santos.
Segundo Amy Egan, diretora do departamento de segurança da divisão de metabolismo da FDA, o benefício desses medicamentos é indiscutível, mas eles precisam ser usados com consciência de seus efeitos colaterais.
Santos afirma ainda que é importante não desestimular o uso dos remédios por causa dos novos riscos.
"Outros remédios para pressão alta aumentam o risco de diabetes, mas nem por isso não são prescritos. É preciso pesar os benefícios."
Para Magnoni, as sociedades médicas devem começar a considerar esses dados em suas recomendações.
FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO

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