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Artigo questiona eficácia da maconha no tratamento de esclerose múltipla

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Periódico britânico revisou estudos sobre um spray à base de cannabis que já foi autorizado em alguns países.
Resultados mostraram que as pesquisas são limitadas e não comprovam a eficácia do produto para tratar a doença.
Um artigo publicado essa semana no periódico britânico Drug And Therapeutics Bulletin, do grupo British Medical Journal (BMJ), afirma que não há evidências que comprovem a eficácia da maconha na redução dos sintomas da esclerose múltipla, como outras pesquisas haviam sugerido. De acordo com o texto, são limitados os estudos que apontaram para os efeitos positivos do Sativex, um spray comercializado na Grã-Bretanha que contém substâncias extraídas da cannabis e que é prescrito a pacientes com esclerose múltipla. 
A causa da esclerose múltipla ainda é desconhecida e não há cura para a doença. Sabe-se que ela ocorre quando há danos ou destruição da mielina, uma substância que envolve e protege as fibras nervosas do cérebro, da medula espinhal e do nervo óptico. Quando isso acontece, são formadas áreas de cicatrização, ou escleroses, e surgem diferentes sintomas sensitivos, motores e psicológicos. 
O Sativex, produzido pelo laboratório britânico GWPharma, combina as duas principais substâncias extraídas da cannabis: o tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD). O produto foi autorizado em 2010 por órgãos reguladores da Grã-Bretanha como uma terapia de segunda linha para tratar espasticidade em pacientes com esclerose múltipla ou seja, em indivíduos que não responderam às drogas principais. A espasticidade, um sintoma comum da doença, ocorre quanto há um aumento do tônus muscular, podendo desencadear espasmos involuntários, distúrbios de sono e dores. Depois da Grã-Bretanha, outros países, entre eles Espanha, Alemanha e Dinamarca, segundo a farmacêutica, aprovaram o produto. 
Limitações — De acordo com o artigo, embora estudos tenham concluído que pacientes que fizeram o uso do spray apresentaram melhor resposta do que aqueles que receberam placebo, “há consideráveis limitações nessas pesquisas”. Segundo o texto, um dos problemas desses ensaios está no curto período que duraram — o mais longo foi feito durante quatro meses. Além disso, em um dos estudos, “o resultado não foi estatisticamente significativo”, e em outras duas pesquisas os pacientes foram autorizados a receber doses maiores do que as autorizadas pelas agências reguladoras. O artigo ainda lembra que nenhum trabalho comparou o Sativex com outra droga de segunda linha a relação foi sempre feita a partir do placebo. 
Outro problema do Sativex apontado pelo artigo, que não está relacionado à eficácia do produto, é em relação ao alto custo do tratamento cerca de dez vezes mais caro do que os outros medicamentos de segunda linha disponíveis para a esclerose múltipla. O periódico ainda afirma que, até o momento, o Instituto Nacional para Saúde e Excelência Clínica (NICE), da Grã-Bretanha, não divulgou recomendações em relação ao uso do spray. 
Para o periódico, portanto, não há evidências suficientes para suportar o uso clínico e frequente do Sativex. “Acreditamos que tais limitações tornam difícil identificar qual deveria ser o lugar desse produto na prática clínica”, escrevem os autores. Em um comentário que acompanhou a revisão, James Cave, editor do periódico, considerou os resultados decepcionantes. “A esclerose múltipla é uma doença grave e seria ótimo se pudéssemos dizer que essa droga é capaz de fazer uma grande diferença, mas seu benefício é apenas modesto”, diz. “Há pessoas com a doença que fumam maconha para aliviar seus sintomas e acham que isso ajuda. Mas não há provas concretas para mostrar que a planta faz qualquer diferença. Além disso, seu uso a longo prazo surte efeitos nocivos à saúde”, diz. 
Outro lado — Em nota emitida à agência Reuters, a GWPharma afirmou que o relatório publicado promove uma “visão enganosa da droga” e que tal revisão contém uma "série de erros." 
FONTE: VEJA

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