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Suplemento alimentar pode adiar avanço do mal de Parkinson

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A fosfatidilserina, disponível em farmácias e lojas de produtos naturais do mundo, promete ajudar na luta contra desordem.
Às vezes, a melhor solução está mais perto do que se pensa. Foi o que descobriram pesquisadores da Universidade de Tel Aviv ao pesquisar os benefícios de um suplemento alimentar disponível nas prateleiras de farmácias ou lojas de produtos naturais de todo o mundo na luta contra a demência, principalmente o mal de Parkinson. A princípio, a fosfatidilserina, um popular produto produzido a partir de carne, de ostras ou de soja, promete ajudar na perda de memória, principalmente no caso de idosos. Mas, ao que tudo indica, o composto é mais poderoso do que ele mesmo se propõe: pode melhorar o funcionamento de genes envolvidos em doenças cerebrais degenerativas.
A descoberta foi feita pela equipe liderada pelos professores Gil Ast e Ron Bochner, do Departamento de Genética Molecular Humana da Universidade de Tel Aviv e publicada na edição de junho da revista especializada Human Molecular Genetics. Testes de laboratório mostraram que a fosfatidilserina é capaz de passar pela barreira entre o sangue e o cérebro. Que o suplemento seja capaz de melhorar as condições do cérebro e reforçar a agilidade mental, mesmo quando administrado por via oral, é um achado significativo.
- Percebemos um efeito tal no cérebro que isso mesmo que o suplemento pode passar através da barreira sangue-cérebro mesmo sendo administrado oralmente e é acumulado em grandes quantidades no cérebro - diz Gil Ast, lembrando que a maioria dos medicamentos entram no corpo através da corrente sanguínea, mas não são capazes de quebrar a barreira entre o sangue e o cérebro.
Os efeitos positivos do suplemento alimentar não param por aí. Eles impactam um total de 2.400 genes - centenas deles ligados ao mal de Parkinson, adiando o avanço da doença. Segundo os pesquisadores, isso significa que o suplemento pode servir de base para novos medicamentos que ajudem na luta contra males ainda sem cura que afetam milhões de pessoas por todo o mundo. Estima-se que em 2050, uma em cada 85 pessoas desenvolva Parkinson. Isso porque a doença atinge principalmente pessoas com mais de 65 anos de idade e os seres humanos estão vivendo cada vez mais. Outro motivo pode ser a nutrição moderna, deficitária. É nesse contexto que a fosfatidilserina entra.
Os pesquisadores se depararam com os resultados por acaso. Eles estudavam os efeitos do suplemento alimentar contra a uma doença rara, a síndrome de Riley-Day, uma desordem do sistema nervoso autônomo que afeta quase que exclusivamente os judeus ashkenazitas (de ascendência europeia), fruto de centenas de anos de casamentos endogâmicos, ou seja, do mesmo grupo. Só há mil doentes com o mal em todo o mundo - dois terços dele em Israel e um terço, nos Estados Unidos. Trata-se de uma mutação genética que impede o cérebro de produzir proteínas saudáveis e leva a uma degeneração precoce do cérebro.
A descoberta dá conta de que a fosfatidilserina, aprovada para uso como suplemento pelo Food and Drug Administration (FDA) americano, contém uma molécula essencial para a transmissão de sinais entre as células nervosas do cérebro. A equipe da Universidade de Tel Aviv resolveu testar se o mesmo composto químico, naturalmente sintetizado no organismo e conhecido por melhorar a memória, consegue influenciar na mutação genética que leva à síndrome de Riley-Day. Eles aplicaram um suplemente derivado de ostras da empresa israelense Enzymotec a células de pacientes com a síndrome e logo perceberam um efeito impressionante no gene e um salto na produção de proteínas saudáveis.
O mesmo foi repetido com ratos concebidos com a mesma mutação genética. Os animais receberam o suplemento alimentar por via oral a cada dois dias num período de três meses. Os pesquisadores então conduziram testes genéticos extensos para avaliar os resultados do tratamento.
- Descobrimos um aumento significativo da proteína em todos os tecidos do corpo, incluindo um aumento de oito vezes no fígado e aumento de 1,5 vezes no cérebro – explica Ast. - O suplemento alimentar não fabrica novas células nervosas, mas atrasa a morte das já existentes - completa.
FONTE: O GLOBO

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