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Anti-inflamatório evita a morte por picada do escorpião amarelo

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Pesquisadores da USP de Ribeirão Preto descobriram que um medicamento anti-inflamatório comum pode evitar a morte causada pela picada de escorpião.
Com apenas 7 centímetros de comprimento, o escorpião amarelo (Tityus serrulatus) é a espécie a mais peçonhenta da América do Sul, sendo prevalente no Sudeste brasileiro.
Todos os anos, mais de 1,2 milhão de pessoas em todo o mundo são vítimas de seu veneno. Dessas, cerca de 3 mil acabam morrendo, a maioria das mortes decorrentes de complicações cardíacas e pulmonares que resultam em um quadro de insuficiência respiratória.
Karina Furlani Zoccal e seus colegas descobriram que as mortes podem ser evitadas em 100% dos casos com a pronta administração de medicamentos anti-inflamatórios encontrados em qualquer farmácia, como a indometacina e o celecoxibe.
"Nossos experimentos foram feitos com camundongos, mas há grandes chances de que os resultados se repliquem em humanos, pois as bases moleculares - os mediadores envolvidos na reação inflamatória pulmonar - são iguais nesse caso. Se isso se confirmar, será uma ferramenta importante no pronto atendimento das vítimas e certamente vai diminuir a mortalidade", explicou a professora Lúcia Helena Faccioli, coordenadora do trabalho.

Anti-inflamatório contra veneno

Sempre que alguém é picado pelo T. serrulatus ocorre uma reação inflamatória local que causa fortes dores, mas não leva à morte. Em alguns casos, porém, também é desencadeada uma reação inflamatória sistêmica, que pode resultar em edema pulmonar (acúmulo de líquido no pulmão) e prejudicar a respiração. É esse quadro que pode progredir para óbito.
Até o momento, o consenso entre os cientistas era que a gravidade do quadro de envenenamento dependeria essencialmente da relação entre a massa corporal da vítima e a dose de toxina inoculada.
No entanto, o estudo indica que há mecanismos específicos de ação que influenciam na capacidade do indivíduo de produzir certas moléculas inflamatórias e anti-inflamatórias.
"Os mecanismos pelos quais essa reação sistêmica é disparada, os mediadores envolvidos, não eram conhecidos e foram objetos do nosso estudo", contou Lúcia.
Tomando os medicamentos, todos os animais sobreviveram mesmo quando inoculados com doses letais do veneno, confirmando que o edema pulmonar não progride ao ponto de tornar-se letal sem a participação da IL-1β, uma molécula formada pela ativação do inflamassoma, a estrutura essencial para a ativação da resposta inflamatória. É esse mecanismo que é interrompido pela ação do medicamento anti-inflamatório.
Fonte: Diário da Saúde

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